{"id":91314,"date":"2016-07-27T06:28:09","date_gmt":"2016-07-27T09:28:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=91314"},"modified":"2016-07-26T20:29:46","modified_gmt":"2016-07-26T23:29:46","slug":"guarana-tem-potencial-antioxidante-maior-do-que-cha-verde-constata-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/guarana-tem-potencial-antioxidante-maior-do-que-cha-verde-constata-estudo\/91314","title":{"rendered":"Guaran\u00e1 tem potencial antioxidante maior do que ch\u00e1 verde, constata estudo"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O ch\u00e1 verde \u00e9 amplamente consumido devido a uma s\u00e9rie de benef\u00edcios de uma classe de compostos qu\u00edmicos presente em sua formula\u00e7\u00e3o: as catequinas, com a\u00e7\u00e3o <strong><em>antioxidante<\/em><\/strong> e propriedades anti-inflamat\u00f3rias, entre outras. Pesquisadores da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) descobriram um concorrente \u00e0 altura para a bebida, com pelo menos 10 vezes mais catequinas e velho conhecido dos brasileiros: o guaran\u00e1.<\/p>\n<p>Ensaios cl\u00ednicos com volunt\u00e1rios humanos saud\u00e1veis revelaram o guaran\u00e1 como importante fonte de catequinas. Efetivamente absorvidas, elas reduzem o estresse oxidativo no organismo, relacionado ao surgimento de doen\u00e7as neurodegenerativas e cardiovasculares, diabetes e c\u00e2ncer, inflama\u00e7\u00f5es e envelhecimento precoce em virtude da morte de c\u00e9lulas, entre outras condi\u00e7\u00f5es prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e ao bem-estar. Os ensaios foram feitos no \u00e2mbito da pesquisa , realizada com apoio da FAPESP e coordenada pela pesquisadora Lina Yonekura.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, o guaran\u00e1 era visto apenas como estimulante devido ao seu alto teor de cafe\u00edna, principalmente pela comunidade cient\u00edfica internacional. No Brasil, tamb\u00e9m observamos que havia uma escassez de trabalhos enfocando outros efeitos biol\u00f3gicos do guaran\u00e1. A avalia\u00e7\u00e3o pioneira sobre a absor\u00e7\u00e3o e os efeitos biol\u00f3gicos de suas catequinas em volunt\u00e1rios humanos pode aumentar o interesse da comunidade cient\u00edfica, do mercado e da sociedade em geral pelo fruto como alimento funcional\u201d, acredita Yonekura, atualmente professora assistente da Faculdade de Agricultura da Kagawa University, no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O paper com os resultados da pesquisa foi destaque de capa da revista Food &amp; Function, da Royal Society of Chemistry, do Reino Unido. O artigo  foi publicado no peri\u00f3dico como um dos Hot Articles de 2016 e \u00e9 assinado por Yonekura, Carolina Aguiar Martins, Geni Rodrigues Sampaio, Marcela Piedade Monteiro, Luiz Ant\u00f4nio Machado C\u00e9sar, Bruno Mahler Mioto, Clara Satsuki Mori, Tha\u00edse Maria Nogueira Mendes, Marcelo Lima Ribeiro, Demetrius Paiva Ar\u00e7ari e Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres.<\/p>\n<p>Muito al\u00e9m da cafe\u00edna<\/p>\n<p>Os testes duraram um m\u00eas e foram realizados em duas etapas. Para medir os par\u00e2metros de refer\u00eancia dos efeitos do guaran\u00e1 em volunt\u00e1rios saud\u00e1veis, mas com sobrepeso e risco cardiovascular ligeiramente elevado, os indiv\u00edduos foram submetidos a exames cl\u00ednicos ap\u00f3s 15 dias de dieta controlada. Nos 15 dias seguintes, passaram a consumir 3 g de guaran\u00e1 em p\u00f3 suspenso em 300 ml de \u00e1gua todas as manh\u00e3s, em jejum.<\/p>\n<p>As compara\u00e7\u00f5es foram feitas entre os exames dos mesmos volunt\u00e1rios, evitando-se, assim, influ\u00eancias da variabilidade entre os indiv\u00edduos. O efeito agudo do guaran\u00e1 foi medido uma hora ap\u00f3s a ingest\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o no primeiro e no \u00faltimo dia. J\u00e1 o efeito prolongado foi avaliado quando os indiv\u00edduos estavam em jejum, tamb\u00e9m no primeiro e no \u00faltimo dia.<\/p>\n<p>Os efeitos do consumo de guaran\u00e1 ao longo dos 15 dias de interven\u00e7\u00e3o foram observados por meio de marcadores do estresse oxidativo. Tamb\u00e9m foi feito um estudo detalhado da absor\u00e7\u00e3o e do metabolismo das catequinas, pois at\u00e9 o momento n\u00e3o havia informa\u00e7\u00f5es na literatura cient\u00edfica sobre a biodisponibilidade desses compostos no guaran\u00e1.<\/p>\n<p>Entre os marcadores utilizados estava a oxida\u00e7\u00e3o lip\u00eddica da LDL, a lipoprote\u00edna de baixa densidade \u2013 conhecida como colesterol ruim. Essencial para o bom funcionamento do organismo, a LDL \u00e9 a principal part\u00edcula que carrega o colesterol para as c\u00e9lulas, fun\u00e7\u00e3o importante para a produ\u00e7\u00e3o das membranas celulares e dos horm\u00f4nios esteroides (estr\u00f3geno e testosterona). No entanto, quando oxidada, a LDL causa aterosclerose e aumenta o risco de desenvolvimento de doen\u00e7as cardiovasculares. Nos testes realizados por Yonekura, a LDL coletada dos volunt\u00e1rios ap\u00f3s o consumo do guaran\u00e1 se mostrou mais resistente \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro marcador foi um ensaio cometa, t\u00e9cnica que mede quebras de DNA induzidas por diferentes fatores \u2013 entre eles, o estresse oxidativo. No estudo, o DNA dos linf\u00f3citos colhidos uma hora ap\u00f3s o consumo de guaran\u00e1 sofreu menos danos quando submetido a um ambiente oxidante, indicando a presen\u00e7a de subst\u00e2ncias antioxidantes ou um melhor desempenho do sistema antioxidante enzim\u00e1tico dessas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>\u201cTodos esses marcadores dependem da presen\u00e7a das catequinas em circula\u00e7\u00e3o. A melhora desses par\u00e2metros foi geralmente observada junto com o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de catequinas no plasma ap\u00f3s a ingest\u00e3o do guaran\u00e1, indicando que o guaran\u00e1 era de fato o respons\u00e1vel por esse efeito\u201d, diz Yonekura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, conta a pesquisadora, as catequinas do guaran\u00e1 melhoraram o sistema de defesa antioxidante enzim\u00e1tico natural das c\u00e9lulas, composto principalmente pelas enzimas glutationa peroxidase, catalase e super\u00f3xido dismutase. Juntas, elas transformam super\u00f3xido em per\u00f3xido e, finalmente, em \u00e1gua, protegendo assim as c\u00e9lulas de danos oxidativos causados pelo pr\u00f3prio metabolismo e por fatores externos. Nos testes foi observado um aumento na atividade da glutationa peroxidase e da catalase logo ap\u00f3s a ingest\u00e3o de guaran\u00e1, mantido at\u00e9 o dia seguinte.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados s\u00e3o animadores e mostram que a biodisponibilidade das catequinas do guaran\u00e1 \u00e9 igual ou superior \u00e0s do ch\u00e1 verde, cacau e chocolate, sendo suficiente para promover efeitos positivos sobre a atividade antioxidante no plasma, proteger o DNA dos eritr\u00f3citos e reduzir a oxida\u00e7\u00e3o dos lip\u00eddeos no plasma, al\u00e9m de promover um aumento da atividade de enzimas antioxidantes. Com a pesquisa, esperamos que haja um maior interesse cient\u00edfico pelo guaran\u00e1, j\u00e1 que essa \u00e9 uma esp\u00e9cie nativa da Amaz\u00f4nia e o Brasil \u00e9 praticamente o \u00fanico pa\u00eds a produzi-lo em escala comercial\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O ch\u00e1 verde \u00e9 amplamente consumido devido a uma s\u00e9rie de benef\u00edcios de uma classe de compostos qu\u00edmicos presente em sua formula\u00e7\u00e3o: as catequinas, com a\u00e7\u00e3o antioxidante e propriedades anti-inflamat\u00f3rias, entre outras. 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