{"id":9269,"date":"2009-08-20T15:33:01","date_gmt":"2009-08-20T19:33:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=9269"},"modified":"2009-08-20T15:33:01","modified_gmt":"2009-08-20T19:33:01","slug":"empresas-japonesas-observam-e-investem-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/empresas-japonesas-observam-e-investem-no-brasil\/9269","title":{"rendered":"Empresas japonesas  observam e investem no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil registrou de janeiro a junho de 2009 um novo aumento dos investimentos diretos estrangeiros (IDE) do Jap\u00e3o. O volume atingiu US$ 565,2 milh\u00f5es, representando crescimento de 158% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2008, em que houve entrada de US$ 356,6 milh\u00f5es. Ainda que seja dif\u00edcil imaginar o mesmo volume de recursos totais de 2008, que foi de US$ 4,1 bilh\u00f5es, os dados do primeiro semestre mostram que persiste o interesse nip\u00f4nico sobre a economia brasileira. Rei\u00a0Oiwa, diretor de pesquisas da\u00a0Jetro\u00a0no Brasil, apresenta dados que corroboram essa percep\u00e7\u00e3o: em 2008, o escrit\u00f3rio brasileiro foi o sexto mais consultado dentre 73 representa\u00e7\u00f5es da\u00a0Jetro\u00a0em 55 pa\u00edses e a procura em 2009 tem mantido os mesmos n\u00edveis elevados.<\/p>\n<p>Dados do Banco Central do Brasil demonstram que a tend\u00eancia de aumento dos fluxos de IDE japoneses ao pa\u00eds est\u00e1 presente desde o inicio da estabiliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira, em meados dos anos 1990. No ano de 2008, o destaque foi o grande volume de IDE destinado ao setor de extra\u00e7\u00e3o mineral, que totalizou cerca de US$ 3,3 bilh\u00f5es. Excluindo esse valor o total de IDE japon\u00eas em 2008 atingiria US$ 764,1 milh\u00f5es, ficando pr\u00f3ximo \u00e0 m\u00e9dia de US$ 695,7 dos anos de 2001-2007, per\u00edodo que marca a retomada do crescimento da economia e do IDE do Jap\u00e3o. Em 2008, apesar da crise internacional, que afetou fortemente tamb\u00e9m o Jap\u00e3o, o IDE desse pa\u00eds n\u00e3o s\u00f3 continuou fluindo ao Brasil como aumentou.<\/p>\n<p>Pode-se observar, ainda nesse per\u00edodo 2001-2008, que o Brasil tem permanecido entre os 15 maiores destinos no mundo ao IDE do Jap\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o de 2004, quando houve um pequeno\u00a0desinvestimento, de acordo com os dados estat\u00edsticos da\u00a0Jetro\u00a0(Japan\u00a0External\u00a0Trade\u00a0Organization). Portanto, pode-se perceber que o interesse do empresariado japon\u00eas pelo Brasil n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ret\u00f3rico, pelo fato do pa\u00eds ser um membro do grupo denominado BRIC (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China). Percebe-se que o interesse est\u00e1 se concretizando em novos investimentos, conduzindo a uma eleva\u00e7\u00e3o de 356% no estoque de IDE do Jap\u00e3o no per\u00edodo de 2001 a 2008, passando de US$ 4,6 bilh\u00f5es para US$ 16,5 bilh\u00f5es. Em 2008 o Brasil registrou o segundo maior estoque de IDE japon\u00eas entre os BRIC, ficando atr\u00e1s da China (US$ 49 bilh\u00f5es), em terceiro ficou a \u00cdndia (US$ 9,4 bilh\u00f5es) e a R\u00fassia (669 milh\u00f5es) em quarto.<\/p>\n<p>Ao longo do recente per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico do Jap\u00e3o (2001-2007), os cinco segmentos da economia brasileira se destacaram por receberem maiores fluxos de IDE foram: a) extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro (US$ 4,2 bilh\u00f5es); b) fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos transmissores de r\u00e1dio e televis\u00e3o (US$ 706,8 milh\u00f5es); c) fabricante de autom\u00f3veis, camionetas e utilit\u00e1rios (US$ 706,8 milh\u00f5es); d) seguro de vida (US$ 408,5 milh\u00f5es); e) produ\u00e7\u00e3o de laminados planos de a\u00e7o (US$ 371,2 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Dentre esses setores pelo menos duas opera\u00e7\u00f5es chamam aten\u00e7\u00e3o pelas suas dimens\u00f5es. O primeiro grande neg\u00f3cio \u00e9 o na extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, que foi a venda por US$ 3,08 bilh\u00f5es em 2008, de 40% de participa\u00e7\u00e3o na mineradora Nacional Min\u00e9rios S.A (Namisa) pela Companhia Sider\u00fargica Nacional ao cons\u00f3rcio formado pelas sider\u00fargicas japonesas\u00a0Nippon\u00a0Steel, JFE\u00a0Steel,\u00a0Sumitomo\u00a0Metal Industries,\u00a0Kobe\u00a0Steel\u00a0e\u00a0Nisshin\u00a0Steel, pelatrading\u00a0Itochu\u00a0e pela produtora sul-coreana de a\u00e7o\u00a0Posco. O segundo destaque foi\u00a0a\u00a0negocia\u00e7\u00e3o de seguros envolvendo a\u00a0Tokyo\u00a0Marine, que em 2005 formou uma\u00a0joint-venture\u00a0com o Banco Real, investindo R$ 897 milh\u00f5es. No entanto, com a aquisi\u00e7\u00e3o do Banco Real pelo\u00a0Santander\u00a0em 2007, havia a de se negociar tamb\u00e9m os 50% da participa\u00e7\u00e3o japonesa da Real\u00a0TokioMarine Vida e Previd\u00eancia, o que ocorreu em fevereiro deste ano, pelo valor de R$ 678 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O segmento de equipamentos transmissores de r\u00e1dio e televis\u00e3o foi o segundo setor que mais recebeu investimentos japoneses no per\u00edodo em an\u00e1lise, os registros do Banco Central apontam que as invers\u00f5es ocorreram em 2001 (US$ 340,0 milh\u00f5es), 2002 (US$ 110,2 milh\u00f5es), 2003 (US$ 241,9 milh\u00f5es) e 2005 (US$ 14,65 milh\u00f5es). O curioso \u00e9 que eles ocorreram antes da decis\u00e3o final do governo brasileiro pela ado\u00e7\u00e3o do sistema digital japon\u00eas que ocorreu em 2006, depois desse ano n\u00e3o h\u00e1 novos investimentos anotados. H\u00e1 expectativas de amplia\u00e7\u00e3o de mercado, caso haja ado\u00e7\u00e3o do sistema japon\u00eas tamb\u00e9m pelos pa\u00edses vizinhos do Brasil na Am\u00e9rica do Sul, o que poderia potencializar a vinda de novos recursos. At\u00e9 o momento, somente o Peru, em abril de 2009, decidiu adotar o padr\u00e3o japon\u00eas e a Argentina sinaliza que poder\u00e1 acompanhar a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>No setor automotivo registra-se o crescimento\u00a0da produ\u00e7\u00e3o das montadoras japonesas no Brasil. O aumento da produ\u00e7\u00e3o entre 2001 a 2008 foi de 595% pela a Honda elevando de 22.058 para 131.139 unidades totais, de 455% pela Toyota aumentando de 14.649 unidades para 66.693, de 434% pela Mitsubishi variando de 8.571 para 37.203 unidades totais e de 142% pelaNissan\u00a0passando de 3.744 (2002) para 5.316 unidades totais. Esta \u00faltima iniciou a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos em 2009, o que dever\u00e1 conduzir a uma acelera\u00e7\u00e3o no crescimento da sua produ\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>J\u00e1 no segmento de a\u00e7os planos o destaque foi o aumento da participa\u00e7\u00e3o da\u00a0Nippon\u00a0Steel\u00a0na Usiminas em 2006 pela aquisi\u00e7\u00e3o de 50,9% de participa\u00e7\u00e3o na\u00a0Nippon\u00a0Usiminas. Ap\u00f3s essa opera\u00e7\u00e3o a empresa japonesa se comprometeu em fornecer \u00e0 Usiminas a mais recente tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o de l\u00e2minas de a\u00e7o destinadas aos fabricantes automotivos japoneses no Brasil. Em 2009, nos dados at\u00e9 abril, o Banco Central j\u00e1 registrou mais US$ 132 milh\u00f5es em IDE do Jap\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de laminados de a\u00e7o, confirmando as not\u00edcias de que as empresas desse pa\u00eds no setor sider\u00fargico, como a JFE\u00a0Steel,\u00a0Nippon\u00a0Steel\u00a0Sumitomo\u00a0MetalsIndustries t\u00eam sinalizado interesse em novas invers\u00f5es no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses segmentos mais tradicionais, o setor de\u00a0biocombust\u00edveistamb\u00e9m vem se destacando, totalizando cerca de US$ 254 milh\u00f5es nos \u00faltimos tr\u00eas anos, sendo US$ 54,3 milh\u00f5es em 2007, US$ 145,5 milh\u00f5es em 2008 e neste ano j\u00e1 se somam US$ 54,2 milh\u00f5es. Esses investimentos s\u00e3o importantes por criar parcerias com empresas japonesas, servindo como artif\u00edcio para contornar parte de um problema, que \u00e9 dar ao mercado do Jap\u00e3o seguran\u00e7a de fornecimento no longo prazo. Um exemplo \u00e9 a a\u00e7\u00e3o conjunta entre a Petrobras e a\u00a0Mitsui, anunciada em 2007, para constru\u00e7\u00e3o de 40 usinas para produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool no pa\u00eds. Mais recentemente, a not\u00edcia promissora \u00e9 o fechamento do contrato de longo prazo entre a\u00a0Cosan\u00a0e a Mitsubishi, em julho deste ano, para exporta\u00e7\u00e3o de etanol ao Jap\u00e3o. Por enquanto, os resultados s\u00e3o t\u00edmidos, em 2007 registraram-se exporta\u00e7\u00f5es de aproximadamente 300 milh\u00f5es de litros de etanol ao mercado japon\u00eas, o maior volume at\u00e9 o momento. Os cerca de 80 milh\u00f5es de litros que dever\u00e3o ser exportados pela\u00a0Cosan, representa cerca de 2% apenas do total de cerca de 3,5 bilh\u00f5es de litros estimados para exportar ao mercado japon\u00eas. Mas, h\u00e1 expectativas otimistas de incremento nesse volume pela preocupa\u00e7\u00e3o do governo japon\u00eas em cumprir a meta de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. O aumento das exporta\u00e7\u00f5es potencializar\u00e1 a vinda de novos fluxos de IDE do Jap\u00e3o ao Brasil.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es atuais, apesar das dificuldades enfrentadas pelo Jap\u00e3o com a sua economia, o Brasil registrou no primeiro semestre de 2009 um total de IDE japon\u00eas de US$ 565,2 milh\u00f5es, uma varia\u00e7\u00e3o de 158% frente os US$ 356,6 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 2008. Todos esses dados permitem a formula\u00e7\u00e3o de expectativas otimistas, n\u00e3o s\u00f3 pela manuten\u00e7\u00e3o do fluxo\u00a0IDE japon\u00eas, como tamb\u00e9m por uma tend\u00eancia de crescimento.<\/p>\n<p><strong>*Alexandre<\/strong><strong> <\/strong><strong>Ratsuo<\/strong><strong> <\/strong><strong>Uehara<\/strong><strong> <\/strong><strong>\u00e9 Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade de S\u00e3o Paulo, Professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais nas Faculdades Integradas Rio Branco, Membro do Grupo de Conjuntura Internacional da USP \u2013 Coordenador da \u00e1rea Jap\u00e3o<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil registrou de janeiro a junho de 2009 um novo aumento dos investimentos diretos estrangeiros (IDE) do Jap\u00e3o. O volume atingiu US$ 565,2 milh\u00f5es, representando crescimento de 158% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2008, em que houve entrada de US$ 356,6 milh\u00f5es. 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