{"id":94102,"date":"2016-08-31T06:36:40","date_gmt":"2016-08-31T09:36:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=94102"},"modified":"2016-08-30T18:37:14","modified_gmt":"2016-08-30T21:37:14","slug":"pesquisa-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-de-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pesquisa-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-de-alzheimer\/94102","title":{"rendered":"Pesquisa abre caminho para diagn\u00f3stico precoce de Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de Foz do Igua\u00e7u | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (FCMSCSP), com , pode tornar poss\u00edvel o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a de <strong><em>Alzheimer<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Atualmente, ainda n\u00e3o h\u00e1 marcadores biol\u00f3gicos ou exames de imagem dispon\u00edveis na rotina cl\u00ednica para detectar o avan\u00e7o do processo degenerativo cerebral. O diagn\u00f3stico \u00e9 feito apenas quando j\u00e1 h\u00e1 sinais de decl\u00ednio cognitivo \u2013 basicamente por exclus\u00e3o de outras condi\u00e7\u00f5es que causam perda de mem\u00f3ria e dem\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que quando os pacientes come\u00e7am a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo cerca de 50% dos neur\u00f4nios j\u00e1 morreram. E, a essa altura, n\u00e3o h\u00e1 muito mais o que fazer. Por\u00e9m, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no in\u00edcio, as chances de estabilizar sua progress\u00e3o com as drogas hoje dispon\u00edveis s\u00e3o muito maiores\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESPLuciana Malavolta Quaglio, professora do Departamento de Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas da FCMSCSP.<\/p>\n<p>Alguns resultados do trabalho coordenado por Malavolta foram apresentados dia 30 de agosto, em Foz do Igua\u00e7u, durante a 31\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE).<\/p>\n<p>Em seu laborat\u00f3rio, a pesquisadora sintetizou pequenos fragmentos pept\u00eddicos capazes de serem atra\u00eddos por um pept\u00eddeo maior, conhecido como beta-amiloide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento da doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p>Por motivos ainda n\u00e3o totalmente compreendidos pela ci\u00eancia, as mol\u00e9culas beta-amiloide naturalmente presentes no organismo come\u00e7am a se agregar umas \u00e0s outras, formando as chamadas placas beta-amiloidais. Esses agregados se acumulam no c\u00e9rebro e causam uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es que, em conjunto com outros fatores, resultam na morte de neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>O objetivo da pesquisa de Malavolta \u00e9 desenvolver biomarcadores capazes de sinalizar em exames cl\u00ednicos a presen\u00e7a das placas beta-amiloidais no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u201cEstamos testando quatro diferentes fragmentos pept\u00eddicos \u2013 todos com poucos amino\u00e1cidos. Enquanto o pept\u00eddeo beta-amiloide tem cerca de 42 res\u00edduos de amino\u00e1cidos, os nossos t\u00eam entre quatro e seis, pois, se forem grandes, n\u00e3o conseguem atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica (um conjunto de c\u00e9lulas extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de subst\u00e2ncias potencialmente t\u00f3xicas presentes no sangue) e chegar ao c\u00e9rebro\u201d, explicou Malavolta.<\/p>\n<p>O desenho das mol\u00e9culas foi conclu\u00eddo em 2011. Desde ent\u00e3o, em colabora\u00e7\u00e3o com cientistas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Malavolta vem aperfei\u00e7oando m\u00e9todos de radiomarca\u00e7\u00e3o, ou seja, de ligar os fragmentos pept\u00eddicos a is\u00f3topos radioativos \u2013 o que possibilita acompanhar a distribui\u00e7\u00e3o do composto pelo organismo e realizar exames de imagem.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia \u00e9 semelhante \u00e0 dos exames de cintilografia usados para avaliar, por exemplo, a fun\u00e7\u00e3o renal ou card\u00edaca. Um composto radiomarcado com afinidade pelo tecido de interesse \u00e9 injetado no organismo. Quando os elementos chegam ao \u00f3rg\u00e3o-alvo, as radia\u00e7\u00f5es emitidas s\u00e3o identificadas por um equipamento conhecido como c\u00e2mara de cintila\u00e7\u00e3o e transformadas em imagens, que podem ser interpretadas pelos especialistas.<\/p>\n<p>A radiomarca\u00e7\u00e3o tem sido feita com o radiois\u00f3topo tecn\u00e9cio, elemento que emite radia\u00e7\u00e3o gama. Segundo Malavolta, esse is\u00f3topo tem sido bastante usado em exames de medicina nuclear para diagn\u00f3stico, pois tem meia-vida de seis horas \u2013 tempo suficiente para a realiza\u00e7\u00e3o do exame e para o paciente ter alta hospitalar no mesmo dia.<\/p>\n<p>\u201cEm m\u00e9dia, as t\u00e9cnicas de radiomarca\u00e7\u00e3o de forma direta com tecn\u00e9cio (na qual o radiois\u00f3topo \u00e9 ligado diretamente na mol\u00e9cula) descritas na literatura cient\u00edfica alcan\u00e7am um rendimento entre 60% e 65% [porcentagem de fragmentos que de fato permanecem ligados ao radiois\u00f3topo]. N\u00f3s conseguimos valores acima de 90%, o que \u00e9 considerado bastante satisfat\u00f3rio no campo da medicina nuclear.&#8221;<\/p>\n<p>Ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos<\/p>\n<p>Diversos testes in vitro e in vivo foram feitos para avaliar a estabilidade dos pept\u00eddeos radiomarcados e sua biodistribui\u00e7\u00e3o no organismo.<\/p>\n<p>Em um dos experimentos, foi comparado um grupo de camundongos sadios e outro geneticamente modificado para desenvolver um quadro semelhante ao Alzheimer. Nesse modelo, para induzir a forma\u00e7\u00e3o das placas beta-amiloidais no c\u00e9rebro dos animais, \u00e9 inserido no genoma do roedor uma muta\u00e7\u00e3o dupla na prote\u00edna APP (prote\u00edna precursora amiloidal), que d\u00e1 origem ao pept\u00eddeo beta-amiloide.<\/p>\n<p>Os fragmentos radiomarcados foram injetados nos dois grupos de animais e, ap\u00f3s diferentes tempos, os pesquisadores faziam a contagem de radia\u00e7\u00e3o em cada um dos \u00f3rg\u00e3os, com aux\u00edlio de um contador de radia\u00e7\u00e3o gama.<\/p>\n<p>\u201cDependendo do fragmento, observamos que entre 3% e 5% das mol\u00e9culas radiomarcadas conseguiram de fato chegar at\u00e9 o c\u00e9rebro dos animais geneticamente modificados, o que \u00e9 considerado um \u00edndice satisfat\u00f3rio. Atualmente, h\u00e1 radiof\u00e1rmacos usados em outros tipos de diagn\u00f3sticos nos quais a porcentagem de especificidade fica em torno de 1%\u201d, contou Malavolta.<\/p>\n<p>Nos animais controle (sadios), segundo a pesquisadora, as atividades radioativas referentes aos pept\u00eddeos radiomarcados ficaram ao redor de 0.5% no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Nos testes in vitro, o \u00edndice de intera\u00e7\u00e3o dos fragmentos radiomarcados com as c\u00e9lulas cerebrais dos camundongos com Alzheimer foi de 50%. J\u00e1 com as c\u00e9lulas dos camundongos sadios o \u00edndice ficou entre 10% e 12%.<\/p>\n<p>Ao avaliar a intera\u00e7\u00e3o dos fragmentos radioativos com as prote\u00ednas presentes no sangue dos roedores, o \u00edndice ficou em torno de 35% nos dois grupos.<\/p>\n<p>\u201cNesse caso, quanto mais baixo for o \u00edndice, melhor, pois uma maior quantidade do composto fica livre para chegar ao alvo desejado. O resultado do experimento mostra que 65% dos nossos fragmentos pept\u00eddicos est\u00e3o livres para percorrer todo o organismo. Alguns dos f\u00e1rmacos dispon\u00edveis atualmente apresentam 95% de intera\u00e7\u00e3o com as prote\u00ednas plasm\u00e1ticas, ou seja, apenas 5% das mol\u00e9culas ficam livres e mesmo assim ainda conseguem ter alguma efici\u00eancia. Imagina quando se tem 65% do composto livre&#8221;, comparou Malavolta.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias que a pesquisadora pretende testar para aumentar a porcentagem de fragmentos radiomarcados que chegam ao c\u00e9rebro \u00e9 o encapsulamento em nanopart\u00edculas. Alguns testes iniciais j\u00e1 foram feitos.<\/p>\n<p>Resultados preliminares da pesquisa apresentada na FeSBE tamb\u00e9m j\u00e1 foram publicados nos peri\u00f3dicos: ,,\u00a0Journal of Peptide Science, \u00a0e , entre outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de Foz do Igua\u00e7u | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (FCMSCSP), com , pode tornar poss\u00edvel o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a de Alzheimer. 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