{"id":96402,"date":"2016-09-30T06:36:49","date_gmt":"2016-09-30T09:36:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=96402"},"modified":"2016-09-29T20:37:52","modified_gmt":"2016-09-29T23:37:52","slug":"estudo-avalia-a-viabilidade-do-uso-de-gas-natural-no-setor-maritimo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estudo-avalia-a-viabilidade-do-uso-de-gas-natural-no-setor-maritimo-brasileiro\/96402","title":{"rendered":"Estudo avalia a viabilidade do uso de g\u00e1s natural no setor mar\u00edtimo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O <em><strong>g\u00e1s natural<\/strong><\/em>, usado no transporte terrestre em autom\u00f3veis e em ve\u00edculos pesados como \u00f4nibus e caminh\u00f5es, tem ganhado espa\u00e7o no transporte naval para abastecer navios em pa\u00edses como Estados Unidos e Noruega.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores do  \u2013 Research Centre for Gas Innovation (RCGI, na sigla em ingl\u00eas) \u2013, apoiado pela FAPESP, BG Group-Shell e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, tem estudado a viabilidade de utilizar no Brasil o combust\u00edvel considerado \u201cde transi\u00e7\u00e3o\u201d, por ter uma queima mais limpa do que outros de origem f\u00f3ssil empregados em aplica\u00e7\u00f5es navais.<\/p>\n<p>O escopo do projeto foi apresentado durante o \u201c1st Day Sustainable Gas Research &amp; Innovation Conference 2016\u201d, realizado nos dias 27 e 28 de setembro em S\u00e3o Paulo. O\u00a0evento reuniu cerca de 140 pesquisadores do RCGI e do Sustainable Gas Institute (SGI) do Imperial College London, da Inglaterra, para discutir projetos de pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o em g\u00e1s natural, biog\u00e1s e hidrog\u00eanio, incluindo novas tecnologias e aplica\u00e7\u00f5es e formas de diminuir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>\u201cFaremos inicialmente um roadmap\u00a0[conjunto de diretrizes e instru\u00e7\u00f5es] para avaliar as possibilidades de empregar o g\u00e1s natural no setor mar\u00edtimo brasileiro, levando em conta fatores tecnol\u00f3gicos, econ\u00f4micos e ambientais\u201d, disse Claudio Muller Prado Sampaio, professor da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli-USP) e um dos coordenadores do projeto, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com Sampaio, o combust\u00edvel usado hoje no setor mar\u00edtimo internacional \u00e9 o \u00f3leo combust\u00edvel pesado ou residual \u2013heavy fuel oil (HFO, na sigla em ingl\u00eas). O HFO \u00e9\u00a0considerado o pior produto do petr\u00f3leo, por ser a parte remanescente da destila\u00e7\u00e3o das fra\u00e7\u00f5es pesadas obtidas em v\u00e1rios processos de refino do petr\u00f3leo, e precisa ser aquecido e purificado para ser usado em motores de combust\u00e3o interna para gera\u00e7\u00e3o de calor.<\/p>\n<p>O processo de combust\u00e3o do \u00f3leo nos motores para gera\u00e7\u00e3o de calor causa a libera\u00e7\u00e3o para a atmosfera de grandes quantidades de \u00f3xido de enxofre (NOX) contido no produto e de material particulado, explicou Sampaio.<\/p>\n<p>A fim de regular as emiss\u00f5es desses poluentes pelo transporte mar\u00edtimo \u2013 respons\u00e1vel por mais de 3% das emiss\u00f5es globais de CO2, podendo chegar a 5% em 2050 \u2013, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional Mar\u00edtima (IMO, na sigla em ingl\u00eas) estabeleceu, em 2008, que a partir de 2015 os navios que navegarem pelas chamadas zonas de controle de emiss\u00f5es de enxofre \u2013 como o mar B\u00e1ltico, o mar do Norte e o canal da Mancha \u2013 n\u00e3o podem utilizar combust\u00edvel com mais de 0,1% de enxofre. E que os armadores poderiam optar por diferentes m\u00e9todos para estar de acordo com a regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre esses m\u00e9todos est\u00e3o a utiliza\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel com baixo teor de enxofre, de g\u00e1s natural liquefeito para propuls\u00e3o ou o uso de lavadores ou outras tecnologias que purifiquem os gases de escape dos motores.<\/p>\n<p>\u201cEssa busca por combust\u00edveis com baixo teor de enxofre tornou o g\u00e1s natural liquefeito competitivo e interessante para o setor mar\u00edtimo internacional, uma vez que ele praticamente n\u00e3o possui enxofre e outros compostos nocivos como o \u00f3xido de nitrog\u00eanio\u201d, disse Sampaio.\u00a0\u201cAl\u00e9m disso, com a entrada dos Estados Unidos na explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto, passando a produzir uma grande quantidade de g\u00e1s natural, houve um aumento da oferta de g\u00e1s natural liquefeito no mercado internacional. Isso levou a um barateamento do produto.\u201d<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses produtores de g\u00e1s natural, como os Estados Unidos, sa\u00edram na frente e come\u00e7aram a construir embarca\u00e7\u00f5es com motor dual fuel \u2013 movidas a dois tipos de combust\u00edvel \u2013 e a criar regi\u00f5es de armazenamento de g\u00e1s natural liquefeito para reabastecimento das embarca\u00e7\u00f5es. E, mais recentemente, come\u00e7aram a desenvolver projetos de navios porta-cont\u00eaineres e de apoio a plataformas offshore movidos a g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>A Noruega, por sua vez, subsidiou projetos voltados a desenvolver embarca\u00e7\u00f5es com motores h\u00edbridos, tamb\u00e9m movidos com g\u00e1s natural liquefeito, a fim de aumentar a economia de combust\u00edvel e diminuir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, apontou Sampaio.\u00a0\u201cComo a maioria dessas embarca\u00e7\u00f5es tem sido desenvolvida no exterior, n\u00e3o sabemos quais t\u00e9cnicas foram utilizadas para constru\u00ed-las\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos desenvolver projetos de embarca\u00e7\u00f5es movidas a g\u00e1s natural liquefeito mais adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas brasileiras, como com menor calado, ou outro sistema de posicionamento din\u00e2mico [usado pelas embarca\u00e7\u00f5es para manter uma posi\u00e7\u00e3o est\u00e1vel ao fazer opera\u00e7\u00f5es de carga e descarga, independentemente das condi\u00e7\u00f5es de mar e vento]\u201d, disse o professor da Poli-USP.<\/p>\n<p>Reservas brasileiras<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m avaliar\u00e3o a disponibilidade de g\u00e1s natural das reservas brasileiras e far\u00e3o proje\u00e7\u00f5es de oferta e demanda do produto para o setor mar\u00edtimo nacional nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Com 500 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de reservas provadas, o Brasil tem a segunda maior reserva de g\u00e1s natural da Am\u00e9rica Latina, perdendo apenas para a Venezuela.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos seis anos, o aumento da participa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural na matriz energ\u00e9tica brasileira foi de 30%. Entretanto, hoje, boa parte do g\u00e1s natural produzida no Pa\u00eds \u00e9 reinjetada no subsolo, inclusive aquela parcela oriunda do pr\u00e9-sal, calculada em 6,3 bilh\u00f5es de m\u00b3 em 2014.\u00a0Naquele ano, 5,1% da produ\u00e7\u00e3o total brasileira foi queimada ou perdida, e 18,0%, reinjetada. Em compara\u00e7\u00e3o a 2013, o volume de queimas e perdas em 2014 cresceu 24,3%, e o de reinje\u00e7\u00e3o aumentou 47,8%.<\/p>\n<p>\u201cTem sido injetado atualmente uma quantidade de g\u00e1s natural no pr\u00e9-sal que equivale a um ter\u00e7o do consumo brasileiro\u201d, comparou Julio Meneghini, diretor acad\u00eamico do RCGI. \u201cO Brasil poderia deixar de importar o g\u00e1s natural da Bol\u00edvia e substitu\u00ed-lo pelo g\u00e1s produzido no pr\u00e9-sal se resolvermos quest\u00f5es como a purifica\u00e7\u00e3o, retirada de CO2 e a log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, um dos principais problemas apresentados pelo g\u00e1s natural contido na camada do pr\u00e9-sal \u00e9 que ele possui um alto conte\u00fado de CO2 \u2013 o que o torna semelhante a um biog\u00e1s.<\/p>\n<p>A fim de purific\u00e1-lo e viabilizar o transporte e a distribui\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s, os pesquisadores do RCGI t\u00eam estudado diferente rotas, afirmou Meneghini. &#8220;Hoje est\u00e3o sendo desenvolvidos no RCGI 29 projetos em tr\u00eas programas de pesquisa \u2013 Engenharia, F\u00edsico-qu\u00edmica e de Pol\u00edticas de energia e economia \u2013, por equipes multidisciplinares compostas por engenheiros, al\u00e9m de advogados, economistas, ge\u00f3grafos, bi\u00f3logos, experts em energia, f\u00edsicos e qu\u00edmicos.&#8221;<\/p>\n<p>O RCGI \u00e9 um dos tr\u00eas Centros de Pesquisa Aplicada Colaborativa criados pela FAPESP em 2015, que envolvem grandes parcerias entre empresas e universidades ou institutos, todos eles com um contrato por at\u00e9 10 anos para desenvolver atividades de pesquisa avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Resultado de uma parceria entre a Funda\u00e7\u00e3o, o BG Group-Shell, a Poli e o Instituto de Energia e Ambiente (IEE), ambos da USP, e o Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen), o centro foi concebido para desenvolver pesquisas sobre uso e aplica\u00e7\u00f5es de g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>A meta \u00e9 intensificar sua presen\u00e7a na matriz energ\u00e9tica paulista e brasileira e contribuir para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>\u201cCada R$ 1 investido pela FAPESP nesses Centros de Pesquisa Aplicada Colaborativa mobiliza mais R$ 1 da empresa e R$ 2 da universidade ou instituto de pesquisa. Isso representa uma boa multiplica\u00e7\u00e3o\u201d, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP, na abertura do evento.\u00a0Tamb\u00e9m participou do evento Jos\u00e9 Goldemberg, presidente da FAPESP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O g\u00e1s natural, usado no transporte terrestre em autom\u00f3veis e em ve\u00edculos pesados como \u00f4nibus e caminh\u00f5es, tem ganhado espa\u00e7o no transporte naval para abastecer navios em pa\u00edses como Estados Unidos e Noruega. 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