{"id":97715,"date":"2016-10-19T06:05:51","date_gmt":"2016-10-19T08:05:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=97715"},"modified":"2016-10-18T17:06:42","modified_gmt":"2016-10-18T19:06:42","slug":"o-circulo-da-colaboracao-entre-universidade-e-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/o-circulo-da-colaboracao-entre-universidade-e-empresa\/97715","title":{"rendered":"O c\u00edrculo da colabora\u00e7\u00e3o entre universidade e empresa"},"content":{"rendered":"<p> Claudia Izique\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios Farmac\u00eauticos e do Centro de Biologia Qu\u00edmica de Prote\u00ednas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) preparam o primeiro artigo a ser publicado em <strong><em>parceria<\/em><\/strong>. Eles trabalham juntos em dois projetos de investiga\u00e7\u00e3o sobre o funcionamento de quinases \u2013 enzimas respons\u00e1veis pela regula\u00e7\u00e3o de diversos processos biol\u00f3gicos do corpo humano \u2013, buscando mol\u00e9culas que possam modelar sua fun\u00e7\u00e3o e indicar caminhos para o desenvolvimento de novas drogas.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o do artigo ser\u00e1 o primeiro produto da associa\u00e7\u00e3o da empresa com o Centro, formalizada no in\u00edcio de 2016. \u201cA meta \u00e9 identificar um alvo biol\u00f3gico com potencial aplica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica\u201d, resume Paulo Arruda, pesquisador da Unicamp respons\u00e1vel pelo Centro.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em formato aberto e consorciado. O Centro integra o Structural Genomics Consortium (SGC), uma parceria p\u00fablico-privada que re\u00fane mais de 400 cientistas de universidades, ind\u00fastrias farmac\u00eauticas e entidades sem fins lucrativos, envolvidos na descoberta de novos f\u00e1rmacos. Al\u00e9m da Unicamp, o SGC conta com centros em Oxford (Inglaterra), Toronto (Canad\u00e1), Carolina do Norte (Estados Unidos), Estocolmo (Su\u00e9cia) e Frankfurt (Alemanha). \u201cOs avan\u00e7os obtidos no \u00e2mbito do SGC s\u00e3o compartilhados com a comunidade para estudo\u201d, sublinha Arruda.<\/p>\n<p>O SGC Unicamp foi constitu\u00eddo em 2015 no \u00e2mbito do Programa Pesquisa em Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica () da FAPESP. \u201cOperamos como uma mini-ind\u00fastria farmac\u00eautica: temos equipe qualificada, alvo, infraestrutura para biologia estrutural e ensaios celulares e biblioteca de mol\u00e9culas\u201d, descreve Arruda.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos 60 quinases clonadas e em fase de purifica\u00e7\u00e3o\u201d, detalha Arruda. Esse n\u00famero \u00e9 significativo e as perspectivas promissoras: das 500 quinases identificadas no genoma humano, apenas 40 foram bem estudadas e j\u00e1 resultaram em 31 medicamentos, a maior parte deles utilizados no tratamento de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Recentemente, o SGC-Unicamp firmou parceria com o AC Camargo Cancer Center com o objetivo de identificar quinases candidatas a alvo. \u201cTeremos um p\u00f3s-doutorado dedicado a essa investiga\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m nesse caso, seguiremos o modelo de ci\u00eancia aberta\u201d, afirma Arruda.<\/p>\n<p>Os centros SGC em Oxford, Frankfurt e da Carolina do Norte trabalham em parceria com o da Unicamp para desenvolver, num prazo de cinco anos, sondas qu\u00edmicas para 27 quinases. Sondas qu\u00edmicas s\u00e3o pequenas mol\u00e9culas que se ligam com especificidade a uma determinada quinase, modulando ou silenciando sua fun\u00e7\u00e3o. S\u00e3o disponibilizadas pelas ind\u00fastrias parceiras \u2013 entre elas a GlaxoSmithKline, Novartis, Bayer e Pfizer \u2013 e utilizadas para o entendimento da biologia de prote\u00ednas-alvo e para avaliar as consequ\u00eancias da inibi\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas em c\u00e9lulas e tecidos.<\/p>\n<p>O Ach\u00e9 \u00e9 o primeiro laborat\u00f3rio brasileiro a integrar o SGC. \u201cO Ach\u00e9 entrega essas sondas qu\u00edmicas para que pesquisadores do SGC testem a modula\u00e7\u00e3o das quinases em diversos ensaios. Essas sondas s\u00e3o uma esp\u00e9cie de chave e o alvo biol\u00f3gico \u2013 as quinases, no caso \u2013, a fechadura. Precisamos encontrar uma chave espec\u00edfica para cada fechadura\u201d, diz Cristiano Guimar\u00e3es, diretor da \u00c1rea de Inova\u00e7\u00e3o Radical do laborat\u00f3rio farmac\u00eautico.<\/p>\n<p>A valida\u00e7\u00e3o de uma \u201cchave\u201d \u00e9 o primeiro passo para o desenvolvimento de um f\u00e1rmaco. At\u00e9 chegar ao novo medicamento \u00e9 exigida, ainda, uma s\u00e9rie de testes pr\u00e9-cl\u00ednicos e cl\u00ednicos em humanos para atestar sua efic\u00e1cia e seguran\u00e7a. Esses testes, a\u00ed sim, s\u00e3o realizados de forma propriet\u00e1ria pelas ind\u00fastrias. \u201cQuando se chega a um candidato a f\u00e1rmaco, entra em cena um empreendedor e a mol\u00e9cula \u00e9 apropriada\u201d, diz Arruda.<\/p>\n<p>\u201cQuando Aled Edwards, CEO do SGC, e Paulo Arruda nos mostraram a oportunidade de associar a Unicamp ao SGC foi f\u00e1cil ver que havia ali enorme potencial para pesquisa avan\u00e7ada na interface empresa-universidade e num modelo radicalmente novo de ci\u00eancia aberta. Ficamos especialmente satisfeitos quando a Ach\u00e9, reconhecendo os benef\u00edcios poss\u00edveis, se juntou ao grupo de empresas associadas ao Centro, demonstrando vis\u00e3o de futuro e estrat\u00e9gia inovadora\u201d, afirmou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cPara a ind\u00fastria, participar desse processo \u00e9 importante, j\u00e1 que pela primeira vez ela ter\u00e1 acesso ao que ocorre nessa fase fundamental da pesquisa; para os pesquisadores na academia, \u00e9 a chance de utilizar uma mol\u00e9cula em primeira m\u00e3o\u201d, completa o respons\u00e1vel pelo SGC-Unicamp.<\/p>\n<p>Edwards, CEO do SGC, reconhece esse c\u00edrculo virtuoso de colabora\u00e7\u00e3o adotado na fase pr\u00e9-competitiva na rela\u00e7\u00e3o do SGC Unicamp com o Ach\u00e9. \u201cA equipe do SGC em Campinas beneficia-se da oportunidade de trabalhar com os excelentes qu\u00edmicos do Ach\u00e9 que, por sua vez, aprendem sobre o desenvolvimento de f\u00e1rmacos orientado pela estrutura tridimensional da quinase. Ao final do projeto, beneficia-se tamb\u00e9m o dom\u00ednio p\u00fablico, j\u00e1 que o laborat\u00f3rio compartilhar\u00e1 o conhecimento de um composto valioso, sem restri\u00e7\u00f5es\u201d, ele afirma. E acrescenta: \u201cEssa forma de parceria est\u00e1 dispon\u00edvel para qualquer empresa disposta a comprometer-se com a ci\u00eancia aberta.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudia Izique\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios Farmac\u00eauticos e do Centro de Biologia Qu\u00edmica de Prote\u00ednas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) preparam o primeiro artigo a ser publicado em parceria. 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