{"id":97940,"date":"2016-10-24T06:03:17","date_gmt":"2016-10-24T08:03:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=97940"},"modified":"2016-10-21T14:52:23","modified_gmt":"2016-10-21T16:52:23","slug":"nanocapsulas-com-anti-inflamatorio-reduzem-tumor-cerebral-maligno-em-camundongos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/nanocapsulas-com-anti-inflamatorio-reduzem-tumor-cerebral-maligno-em-camundongos\/97940","title":{"rendered":"Nanoc\u00e1psulas com anti-inflamat\u00f3rio reduzem tumor cerebral maligno em camundongos"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Qualquer medicamento administrado contra <strong><em>doen\u00e7as cerebrais<\/em><\/strong> precisa enfrentar um escudo natural at\u00e9 chegar ao c\u00e9rebro: a barreira hematoencef\u00e1lica, uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o sistema nervoso central de subst\u00e2ncias potencialmente neurot\u00f3xicas presentes no sangue. De acordo com especialistas, 98% dos medicamentos n\u00e3o conseguem ultrapass\u00e1-la \u2013 e aqueles que o fazem, em geral, necessitam ser administrados em altas concentra\u00e7\u00f5es e podem causar efeitos adversos graves.<\/p>\n<p>Para ampliar o alcance de f\u00e1rmacos no c\u00e9rebro empregando doses seguras, pesquisadores da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) utilizaram c\u00e1psulas de dimens\u00f5es nanom\u00e9tricas, capazes de atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica e \u201centregar\u201d o medicamento no local exato onde ele deve ser administrado \u2013 no caso da pesquisa, partes do c\u00e9rebro tomadas por glioblastoma, tipo mais comum de tumor cerebral maligno em adultos, que ainda n\u00e3o conta com tratamento farmacol\u00f3gico eficiente.<\/p>\n<p>Testes em camundongos com a doen\u00e7a mostraram que as nanoc\u00e1psulas atravessaram a barreira hematoencef\u00e1lica e, carregadas do anti-inflamat\u00f3rio indometacina, reduziram substancialmente o volume do tumor, em 70%. Os resultados foram obtidos durante o projeto , realizado com apoio da FAPESP e coordenado por Sandra Helena Poliselli Farsky.<\/p>\n<p>\u201cUm dos efeitos adversos da indometacina \u00e9 a les\u00e3o gastrointestinal. Nos experimentos, a administra\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, por via oral, desse anti-inflamat\u00f3rio sem as nanoc\u00e1psulas acabou levando os animais a \u00f3bito devido a les\u00f5es gastrointestinais. Diferentemente, a administra\u00e7\u00e3o da nanoc\u00e1psula carreando indometacina n\u00e3o causou dano gastrointestinal e reduziu significantemente o tumor\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para Stephen Fernandes de Paula Rodrigues, p\u00f3s-doutorando supervisionado por Farsky, \u201co sucesso dos testes representa uma grande possibilidade de melhora na condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos pacientes com glioblastoma, que, na maioria dos casos, t\u00eam uma sobrevida curta, de cerca de 12 meses\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma doen\u00e7a muito severa e cujos tratamentos dispon\u00edveis ainda s\u00e3o pouco eficazes, pois a cirurgia n\u00e3o \u00e9 capaz de retirar todas as c\u00e9lulas tumorais, muito ligadas ao tecido cerebral, e a quimioterapia precisa ser muito agressiva para atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica, provocando efeitos adversos importantes.\u201d<\/p>\n<p>O tratamento quimioter\u00e1pico convencional de glioblastoma envolve a administra\u00e7\u00e3o do f\u00e1rmaco temozolomida, de custo elevado e com poucas garantias de efic\u00e1cia. Entre os efeitos adversos da sua administra\u00e7\u00e3o em concentra\u00e7\u00e3o suficiente para atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica est\u00e3o danos \u00e0 medula \u00f3ssea vermelha, onde se encontram as c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas, respons\u00e1veis por gerar as c\u00e9lulas necess\u00e1rias \u00e0 reconstitui\u00e7\u00e3o do sangue e do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi observada leucopenia, decorrente da produ\u00e7\u00e3o prejudicada de c\u00e9lulas brancas e da sua mobiliza\u00e7\u00e3o para o sangue com rapidez insuficiente. Os gl\u00f3bulos brancos combatem infec\u00e7\u00f5es, de modo que n\u00edveis baixos dessas c\u00e9lulas aumentam a suscetibilidade do organismo ao problema.<\/p>\n<p>As nanoc\u00e1psulas utilizadas como alternativa \u00e0 quimioterapia convencional foram obtidas por S\u00edlvia Stanis\u00e7uaski Guterres e Adriana Raffin Pohlmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a partir de pol\u00edmeros de poli(epsilon-caprolactona), composto qu\u00edmico que, por ser biodegrad\u00e1vel e biocompat\u00edvel, n\u00e3o oferece toxicidade ao organismo. As pesquisadoras agregaram \u00e0 s\u00edntese das nanoc\u00e1psulas a indometacina, que, al\u00e9m de controlar a inflama\u00e7\u00e3o, reduz a dor e combate a febre.<\/p>\n<p>Inicialmente, foi testada a capacidade das nanoc\u00e1psulas de atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica de c\u00e9rebros sadios de camundongos. Para isso, elas foram marcadas com um agente fluorescente durante o processo de s\u00edntese, sendo rastreadas na corrente sangu\u00ednea e no tecido cerebral dos animais por meio de microscopia intravital, tecnologia que permite a observa\u00e7\u00e3o e o imageamento in vivo de sistemas biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais, a fluoresc\u00eancia seria observada apenas no interior dos vasos, pois a barreira hematoencef\u00e1lica impediria o avan\u00e7o das mol\u00e9culas. J\u00e1 com as nanoc\u00e1psulas, foi poss\u00edvel acompanh\u00e1-la do interior dos vasos at\u00e9 o par\u00eanquima cerebral, o tecido do c\u00e9rebro, atravessando a barreira com sucesso.<\/p>\n<p>Depois de confirmada a capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o, os pesquisadores induziram glioblastoma nos camundongos e os trataram com as nanoc\u00e1psulas de indometacina, observando a redu\u00e7\u00e3o do volume tumoral sem rea\u00e7\u00f5es adversas, o que sugere o transporte com sucesso da indometacina e o efeito do f\u00e1rmaco nas c\u00e9lulas do tumor.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, os resultados s\u00e3o promissores e podem levar ao desenvolvimento de uma nova estrat\u00e9gia de tratamento de glioblastoma e de outras doen\u00e7as que afetam o sistema nervoso central, como as de Alzheimer e de Parkinson.<\/p>\n<p>\u201cAinda ser\u00e3o necess\u00e1rios muitos estudos laboratoriais at\u00e9 que sejam poss\u00edveis os testes em humanos, mas, uma vez que a barreira hematoencef\u00e1lica \u00e9 um impedimento \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de medicamentos, a capacidade de \u2018ancor\u00e1-los\u2019 em c\u00e1psulas de dimens\u00f5es t\u00e3o diminutas e de f\u00e1cil permea\u00e7\u00e3o celular pode ser explorada com grandes chances de \u00eaxito, ajudando, inclusive, na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as em \u00e1reas sadias do c\u00e9rebro\u201d, diz Rodrigues.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa podem ser conferidos no artigo , publicado na Journal of Biomedical Nanotechnology. Assinam o paper Stephen Fernandes de Paula Rodrigues, Luana Almeida Fiel Baumbach, Ana Lucia Borges Shimada, Natalia Pereira, S\u00edlvia Stanis\u00e7uaski Guterres, Adriana Raffin Pohlmann e Sandra Helena Poliselli Farsky.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Qualquer medicamento administrado contra doen\u00e7as cerebrais precisa enfrentar um escudo natural at\u00e9 chegar ao c\u00e9rebro: a barreira hematoencef\u00e1lica, uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o sistema nervoso central de subst\u00e2ncias potencialmente neurot\u00f3xicas presentes no sangue. 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