{"id":98158,"date":"2016-10-26T06:39:46","date_gmt":"2016-10-26T08:39:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=98158"},"modified":"2016-10-25T14:40:49","modified_gmt":"2016-10-25T16:40:49","slug":"pesquisador-publica-guia-sobre-emergencias-medicas-causadas-por-animais-aquaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pesquisador-publica-guia-sobre-emergencias-medicas-causadas-por-animais-aquaticos\/98158","title":{"rendered":"Pesquisador publica guia sobre emerg\u00eancias m\u00e9dicas causadas por animais aqu\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A maioria dos <strong><em>acidentes com animais em praias<\/em><\/strong> \u00e9 provocada pelo contato com seres bem menores \u2013 como o ouri\u00e7o-do-mar, que apresenta toxinas que causam dor intensa e inflama\u00e7\u00f5es. Para auxiliar nos cuidados nesses e em outros acidentes envolvendo animais aqu\u00e1ticos, o pesquisador Vidal Haddad Junior acaba de publicar, pela editora Springer, o livro Medical emergencies caused by aquatic animals: a zoological and clinical guide.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 resultado de mais de 30 anos de pesquisa m\u00e9dica e zool\u00f3gica do autor, professor do Departamento de Dermatologia e Radioterapia da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), parte delas realizadas com . Al\u00e9m de casos envolvendo o contato com animais de diferentes esp\u00e9cies em habitats marinhos e fluviais, o livro trata da ingest\u00e3o de toxinas \u2013 como as do peixe baiacu \u2013 e de infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas e bacterianas em ambientes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo era compor e oferecer um guia de refer\u00eancia para os cuidados de emerg\u00eancia em ambulat\u00f3rio, com informa\u00e7\u00f5es essenciais sobre os problemas mais importantes envolvendo incidentes em praias, rios e outros ambientes em que seres humanos interagem de alguma maneira com a fauna aqu\u00e1tica. \u00c9 o trabalho de uma vida\u201d, diz Haddad Junior.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es apresentadas no livro foram coletadas de diferentes fontes, a come\u00e7ar pelo trabalho prospectivo do autor em col\u00f4nias de pescadores ao longo da costa brasileira e em rios e lagos do pa\u00eds. Os dados sobre les\u00f5es em banhistas foram catalogados em s\u00e9ries cl\u00ednicas, em que cerca de 3 mil les\u00f5es foram observadas durante um per\u00edodo de quase 20 anos.<\/p>\n<p>O conte\u00fado abrange a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, aspectos cl\u00ednicos da ocorr\u00eancia de envenenamentos e les\u00f5es, primeiros socorros e cuidados de emerg\u00eancia, as principais alternativas de tratamento e um caso t\u00edpico representando cada grupo de animais. Os casos s\u00e3o ilustrados por fotografias originais de esp\u00e9cimes e dos ferimentos causados por elas, todas produzidas pelo pesquisador.<\/p>\n<p>Os cap\u00edtulos s\u00e3o divididos de acordo com grupos zool\u00f3gicos: invertebrados marinhos e de \u00e1gua doce, como esponjas, medusas, caravelas, an\u00eamonas, corais, sanguessugas, caramujos e estrelas-do-mar; e vertebrados, como peixes e r\u00e9pteis. Um guia cl\u00ednico \u00e9 destinado a estudantes e profissionais de Medicina, Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e outros campos que trabalham em \u00e1reas costeiras ou \u00e1gua doce, com orienta\u00e7\u00f5es sobre como lidar com uma s\u00e9rie de emerg\u00eancias m\u00e9dicas causadas por animais aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cO interesse pelos ambientes aqu\u00e1ticos cresce \u00e0 medida que o acesso a praias, rios e lagos \u00e9 facilitado, especialmente para atividades de recrea\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas esportivas. Mas esses ambientes costumam ser frequentados por muitas pessoas que n\u00e3o possuem o devido conhecimento sobre as suas particularidades e os riscos das defesas naturais da fauna aqu\u00e1tica. Isso pode provocar encontros desagrad\u00e1veis e para os quais os seres humanos n\u00e3o costumam estar preparados\u201d, alerta Haddad Junior.<\/p>\n<p>De acordo com o autor, entre as causas mais frequentes de ferimentos provocados por animais aqu\u00e1ticos est\u00e1 o contato inadvertido com esp\u00e9cies venenosas, que apresentam toxinas de efeitos delet\u00e9rios ou traumatizantes, cuja estrutura pode cortar ou perfurar a pele humana com facilidade. Animais venenosos podem n\u00e3o ser pe\u00e7onhentos \u2013 com gl\u00e2ndulas que se comunicam com dentes, ferr\u00f5es, aguilh\u00f5es ou outras estruturas por onde o veneno passa ativamente \u2013, mas suas toxinas podem causar efeitos danosos se ingeridas, por exemplo.<\/p>\n<p>Os principais animais aqu\u00e1ticos que causam situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia em seres humanos s\u00e3o os dos filos Porifera, ao qual pertencem as esponjas; Cnidaria, das an\u00eamonas e dos corais; Annelida, dos vermes marinhos; Mollusca, dos caramujos e polvos; Echinodermata, dos ouri\u00e7os-do-mar; e Crustacea, dos caranguejos e camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Para identificar o per\u00edodo em que os acidentes com animais marinhos s\u00e3o mais frequentes, Haddad Junior monitorou ocorr\u00eancias na cidade de Ubatuba, no litoral paulista. Inicialmente, foram registrados 144 casos ao longo de 18 meses, com picos nos per\u00edodos de ver\u00e3o, quando a popula\u00e7\u00e3o da cidade aumenta cerca de 10 vezes. Banhistas constituem mais de 90% das v\u00edtimas e a incid\u00eancia desse tipo de acidente foi observada em um a cada mil entradas em salas de emerg\u00eancia. \u201cTrata-se de um n\u00famero elevado se considerarmos que na temporada de f\u00e9rias at\u00e9 5 mil pessoas podem ser atendidas em um \u00fanico dia\u201d, conta.<\/p>\n<p>Cerca de 50% das v\u00edtimas s\u00e3o banhistas que pisam em ouri\u00e7os-do-mar e apresentam les\u00f5es traum\u00e1ticas. A outra metade das ocorr\u00eancias \u00e9 dividida quase que igualmente entre banhistas feridos por cnid\u00e1rios e pescadores vitimados por contato com peixes venenosos, como arraias e bagres.<\/p>\n<p>\u201cAs fases iniciais dos ferimentos por peixes s\u00e3o sempre uma emerg\u00eancia para a v\u00edtima, especialmente por causa da possibilidade de hemorragia e da dor, que pode ser muito grave e com manifesta\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas presentes, como comprometimento card\u00edaco, respirat\u00f3rio e urin\u00e1rio. Ocasionalmente, h\u00e1 risco de morte da v\u00edtima. As informa\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es apresentadas no livro s\u00e3o \u00fateis tamb\u00e9m para a preven\u00e7\u00e3o desses quadros\u201d, diz o autor.<\/p>\n<p>Medical emergencies caused by aquatic animals: a zoological and clinical guide<br \/>\nAutor: Vidal Haddad Junior<br \/>\nEditora: Springer<br \/>\nLan\u00e7amento: 2016<br \/>\nPre\u00e7o: 109,00 (impresso) e 84,99 (e-book)<br \/>\nP\u00e1ginas: 112<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A maioria dos acidentes com animais em praias \u00e9 provocada pelo contato com seres bem menores \u2013 como o ouri\u00e7o-do-mar, que apresenta toxinas que causam dor intensa e inflama\u00e7\u00f5es. 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