{"id":98323,"date":"2016-10-27T06:05:55","date_gmt":"2016-10-27T08:05:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=98323"},"modified":"2016-10-26T16:08:15","modified_gmt":"2016-10-26T18:08:15","slug":"variantes-geneticas-indicam-suscetibilidade-ao-cancer-de-boca-e-de-garganta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/migracao.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/variantes-geneticas-indicam-suscetibilidade-ao-cancer-de-boca-e-de-garganta\/98323","title":{"rendered":"Variantes gen\u00e9ticas indicam suscetibilidade ao c\u00e2ncer de boca e de garganta"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um conjunto de variantes gen\u00e9ticas relacionadas com a suscetibilidade para o desenvolvimento de c\u00e2ncer na cavidade oral (boca) e na orofaringe (garganta) foi descrito em um \u00a0internacional  e publicado na revista Nature Genetics.<\/p>\n<p>O achado mais not\u00e1vel, segundo os autores, foi a associa\u00e7\u00e3o entre o carcinoma de orofaringe e determinados polimorfismos (vers\u00f5es alternativas para uma mesma sequ\u00eancia de DNA) encontrados na regi\u00e3o do genoma onde ficam os genes codificadores dos ant\u00edgenos leucocit\u00e1rios humanos (HLA, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 prote\u00ednas presentes na superf\u00edcie de c\u00e9lulas de defesa com a miss\u00e3o de reconhecer potenciais amea\u00e7as e iniciar a resposta imune.<\/p>\n<p>De acordo com Eloiza Helena Tajara, professora da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) e coautora do artigo, um grupo espec\u00edfico de variantes nessa regi\u00e3o \u2013 situada no cromossomo 6 \u2013 foi associado \u00e0 maior prote\u00e7\u00e3o contra o carcinoma de orofaringe induzido pelo papilomav\u00edrus humano (HPV).<\/p>\n<p>\u201cEstudos anteriores haviam mostrado que essas mesmas variantes conferem prote\u00e7\u00e3o contra o c\u00e2ncer cervical [colo de \u00fatero], cuja associa\u00e7\u00e3o com o HPV \u00e9 bem conhecida. Os resultados indicam, portanto, que os genes que controlam o sistema imune t\u00eam papel fundamental na predisposi\u00e7\u00e3o a tumores ligados ao HPV. Essa descoberta abre perspectivas para esclarecimento dos mecanismos relacionados ao desenvolvimento desses tumores e para elabora\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de monitoramento de grupos de risco\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p>O estudo foi coordenado pela Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer (IARC, na sigla em ingl\u00eas) e congregou 40 grupos de pesquisa da Europa, Estados Unidos e Am\u00e9rica do Sul. Do Brasil, participaram os integrantes do Gencapo (Genoma do C\u00e2ncer de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o) \u2013 cons\u00f3rcio que re\u00fane cientistas de diversas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As pesquisas do Gencapo foram realizadas no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico rec\u00e9m-conclu\u00eddo \u201cFatores ambientais, cl\u00ednicos, histopatol\u00f3gicos e moleculares associados ao desenvolvimento e ao progn\u00f3stico de carcinomas epidermoides de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o\u201d, coordenado por Tajara.<\/p>\n<p>Neste trabalho recente, foram avaliados mais de 7 milh\u00f5es de variantes gen\u00e9ticas em amostras de 6.034 portadores de c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o \u2013 sendo 2.990 de tumores situados na cavidade oral; 2.641 de tumores da orofaringe; 305 de tumores na hipofaringe (parte da faringe pr\u00f3xima ao es\u00f4fago); e 168 em outras regi\u00f5es ou em mais de uma regi\u00e3o concomitantemente. Os dados foram comparados com amostras de 6.585 pessoas n\u00e3o portadoras de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Ao todo, foram encontrados oito locos (locais do genoma) associados \u00e0 suscetibilidade a esses tipos de tumor \u2013 sendo que sete nunca haviam sido relacionados ao c\u00e2ncer de boca ou de garganta em estudos anteriores.<\/p>\n<p>Segundo Tajara, a proposta do IARC foi concentrar os esfor\u00e7os na an\u00e1lise de tumores de cavidade oral e orofaringe porque n\u00e3o havia estudos de associa\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica ampla para esses dois tipos de tumores. Em geral, os casos costumam estar associados ao consumo excessivo de tabaco e \u00e1lcool. Por\u00e9m, nos \u00faltimos anos, tem aumentado o n\u00famero de tumores induzidos pelo HPV, particularmente o tipo 16. \u201cE a garganta \u00e9 a \u00e1rea mais afetada entre os subs\u00edtios de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, provavelmente por ter um tipo de tecido mais receptivo ao v\u00edrus\u201d, explicou Tajara.<\/p>\n<p>No artigo, os pesquisadores destacam que a infec\u00e7\u00e3o por HPV j\u00e1 est\u00e1 por tr\u00e1s de 60% dos casos de c\u00e2ncer de orofaringe diagnosticados nos Estados Unidos. Na Europa, o \u00edndice \u00e9 de 30% e, na Am\u00e9rica do Sul, \u00e9 ainda menor.<\/p>\n<p>\u201cUm achado de certa forma esperado entre os casos procedentes da Am\u00e9rica do Sul foi a aus\u00eancia de associa\u00e7\u00e3o de variantes na regi\u00e3o HLA com carcinoma de orofaringe, o que pode estar relacionado ao fato de os tumores positivos para HPV terem frequ\u00eancia inferior a 10% em nosso continente. O mesmo fator parece ser respons\u00e1vel pela fraca associa\u00e7\u00e3o das variantes identificadas com carcinomas orais HPV positivos, que de maneira geral tamb\u00e9m s\u00e3o bem menos frequentes que os HPV negativos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para Tajara, o forte aumento dos casos ligados ao HPV nos Estados Unidos pode estar associado a uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos sexuais, principalmente \u00e0 pr\u00e1tica de sexo oral. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que o Brasil ainda viva uma fase de transi\u00e7\u00e3o e os h\u00e1bitos que favorecem a infec\u00e7\u00e3o ainda estejam se disseminando. Se isso for verdade, os efeitos v\u00e3o aparecer daqui a alguns anos\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 mostraram que tumores de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o ligados ao HPV afetam pessoas mais jovens e se desenvolvem rapidamente, enquanto os casos associados ao consumo de cigarro, \u00e1lcool e m\u00e1 higiene bucal s\u00e3o mais frequentes ap\u00f3s os 50 anos e, embora tenham progress\u00e3o mais lenta, s\u00e3o considerados dif\u00edceis de tratar.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7o conjunto<\/p>\n<p>Al\u00e9m do DNA contido nas amostras de tecido dos participantes do estudo, tamb\u00e9m foram coletadas informa\u00e7\u00f5es sobre fatores ambientais e cl\u00ednicos possivelmente associados ao desenvolvimento desse tipo de c\u00e2ncer, como fumo, consumo de \u00e1lcool e idade.<\/p>\n<p>Segundo Tajara, gra\u00e7as \u00e0 uni\u00e3o de esfor\u00e7os dos 40 grupos de pesquisa foi poss\u00edvel obter dados de um n\u00famero significativo de pacientes \u2013 o que aumenta o impacto e a confiabilidade dos resultados. A equipe do Gencapo contribuiu com cerca de mil amostras de tumores para a an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u201cA partir desses resultados, podemos tentar entender de que forma esses polimorfismos observados interferem, do ponto de vista molecular, na resposta \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo HPV. Isso pode nos dar pistas sobre como proteger as pessoas e como diminuir a incid\u00eancia desse tipo de tumor\u201d, avaliou Tajara.<\/p>\n<p>O artigo Genome-wide association analyses identify new susceptibility loci for oral cavity and pharyngeal cancer (doi: 10.1038\/ng.3685)\u00a0pode ser lido em <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um conjunto de variantes gen\u00e9ticas relacionadas com a suscetibilidade para o desenvolvimento de c\u00e2ncer na cavidade oral (boca) e na orofaringe (garganta) foi descrito em um \u00a0internacional e publicado na revista Nature Genetics. 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